O professor dos dias atuais e o planejamento

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Caracterizado como uma forma eficaz de organização da prática pedagógica do professor e da Escola, o planejamento muitas vezes passa por muitas questões relevantes ligadas a falta de comunicação de uma determinada unidade escolar, ou relações verticais entre gestores escolares e docentes, e muitos outros fatores influenciadores, que se deve levar em consideração, para que a culpa não fique somente nos professores, que em muitas vezes repete os planos de ensino dos anos anteriores, acrescentando pouca coisa a mais ou a menos.

     A visão que o planejamento tem para a educação de hoje é que ele deixou de ser um documento burocrático e meramente opcional, que ainda em alguns sistemas de ensino serve como uma ferramenta de controle da ação pedagógica do professor, e passou a ser um fator central, e organizacional do desenvolvimento e andamento das escolas, em relação à previsão da ação do professor em sala de aula e fora dela,quanto em relação a previsão da escola,para que seus objetivos de ensino possam ser transformados em realidade.O planejamento de ensino proporciona desde demonstrar previamente procedimentos e caminhos que servirão de guia norteador da prática educativa,até a organização da instituição escolar como um todo, e da funcionalidade de todos estes itens interligados, prosseguindo juntos no decorrer do ano, trilhados pelo planejamento da unidade escolar, do curso, da disciplina e da aula, de forma subseqüente. Mas não se pode levar em consideração somente a teoria de uma forma utópica, e se esquecer que o professor e os agentes escolares, também encontram em sua prática, fatores que pode ou não interferir no trabalho docente e do andamento da escola que funciona através planejamentos, e que devem ser levados em consideração na hora da construção do mesmo, como;

  • Gestão democrática:

Muito se tem falado hoje, e procurado colocar em prática a democratização do acesso e permanência na escola, inclusive depois da criação da (LDB, 9394/96), vê em seu artigo 14 uma forma de administração escolar mais democrática e mais participativa, incluindo a participação de pais, alunos, professores, direção, comunidades, para uma maior participação dentro da escola em eventuais conselhos, projeto político pedagógico, participação na satisfação sobre os investimentos da verba escolar, enfim, a gestão democrática hoje é realidade dentro das escolas, e este princípio tornou se mais transparente e participativa as decisões da escola e sua administração, e permitiu que a relação com gestores e diretores de escola e sua equipe, fossem mais próximas. Mas é importante não esquecer que ainda hoje, muitas vezes em algumas instituições se encontram gestores, com atitudes autoritárias e centralizadoras, distantes da ação dos docentes, não trabalhando de uma forma participativa, mas resolvendo problemas sem o diálogo e a participação de todos, com isso é necessário que os professores na hora de construir um planejamento do seu ano letivo, levem em consideração se a escola possui uma gestão democrática com certa abertura apara os possíveis diálogos dos processos educativos ou uma gestão fechada, pois são através destes conceitos que certos projetos idealizados por docentes, muitas vezes poderão ou não ser colocados em prática, e caso não haja a participação do professor na formulação e atividades que fazem da escola um espaço social, dificilmente vai ser possível que o professor trabalhe a multidisciplinaridade na escola. “A própria sala de aula é um lugar de gestão e, principalmente de aprendizagem da gestão democrática, não só da escola, mas da vida. Exercitar a gestão democrática na escola é uma forma de ensinar e aprender”. (LUCKESI, 2007).

  • Flexibilidade do Planejamento

Dentro do contexto escolar e social que se vive nos dias atuais, é de suma importância que professores e todos envolvidos em ações educativas, levem  em conta a flexibilidade como um fator de competência dos profissionais, e a flexibilidade do planejamento, não só pela flexibilidade ser algo que a educação pede hoje como competência dos profissionais, mas pelo fato da ação educativa estar ligada com a ação dialógica como requisito básico para um trabalho de qualidade e todas as transformações do mundo moderno aliado a era da informação,  a internet, esses fatores permitem que muitos conhecimentos cheguem as casas dos alunos, a flexibilidade deve situações que os professores criam para o desenvolvimento de um olhar crítico, reflexivo e transformador de seus alunos, por isso além de estar presente nestes momentos, dentro de sala e nas competências de um professor também devem estar presente no planejamento, para que a execução da ação pedagógica deixe espaços para uma possível reestruturação e revisão, caso aquilo que se tenha planejado não esteja percorrendo os caminhos corretos e alcançando os objetivos traçados, podendo dar um passo atrás e replanejar, reorientar seus passos ao invés de improvisar.

A flexibilidade é uma característica fundamental para os planejamentos, pois desta forma ele fica passível de uma nova transformação e adaptação a situações novas que surgirem no cotidiano escolar. Todo plano que não obedecer ao princípio da flexibilidade, que não possa ser mudado ou reestruturado, quando necessário está fadado ao fracasso, podendo se tornar um meio de dominação. (MENEGOLLA; SANT’ANNA,2009).

Diferenças de planejamento, plano e projeto.

Enquanto que o planejamento é o fator, o plano e o projeto são os produtos, mais objetivamente através do planejamento é possível o direcionamento, o alicerce, os caminhos da ação pedagógica, a reflexão, a reorientação, a sistematização, podendo ser feito, de forma única, ou de forma coletiva, o plano é mais direto e específico, mas depende de um planejamento de Escola/curso, para que ele seja fundamentado. Como documento, o planejamento de uma série ou ano deve apresentar alguns aspectos como;

  • Identificação da Escola
  • Objetivos (Geral e específico)
  • Conteúdos
  • Estratégias
  • Recursos
  • Cronograma
  • Avaliação

Plano de aula (diário/semanal/mensal) pode ser realizado, pelo professor individual da série/ano ou da disciplina, ou por mais de um professor de uma série ou ciclo sendo um plano compartilhado, e deve levar em consideração também;

  • Identificação da instituição
  • Professor (a) responsável
  • Disciplina (s) lecionada
  • Série/ano/disciplina
  • Período
  • Número de aulas por dia/semana/mês
  • Número de alunos
  • Característica do grupo
  • Objetivos
  • Conteúdos norteadores e conteúdos específicos
  • Desenvolvimento
  • Avaliação ou técnicas avaliativas
  • Referências/Bibliografia

Já os projetos que acontecem durante o ano muitas vezes podem ser frutos do professor dentro de um determinado grupo, com disciplinas inter-relacionadas, ou do diretor para com a escola, e geralmente tem um tema especifico que engloba todos na ação, a escola, professores e alunos, os projetos podem surgir a partir da necessidade do professor trabalhar um tema dentro de uma disciplina/série/ano, com isso pode levar em consideração a interdisciplinaridade, trabalhando o tema em mais de uma disciplina, ou projetos disciplinares, que engloba apenas uma disciplina em específico, portanto pode se perceber que os projetos aparecem durante o ano na medida em que os planos de aula vão sendo executados, ou em virtude de festas, e datas comemorativas, entre outros.

A importância da formação continuada de professores:

A formação continuada de professores é hoje algo que se comenta muito, sendo muito importante se pensar nisso, para poder também pensar na melhora da qualidade da educação, quanto também na sua funcionalidade, o planejamento é uma ferramenta que necessária, e deve ser construído em conjunto com os objetivos da escola, e da forma como a escola pensa, neste sentido muitas vezes, quando se pensa que é preciso que o planejamento seja feito de uma forma mais condizente coma prática, e levando em consideração os fatores externos, muitos professores que estão a muito tempo na prática escolar, ou a aqueles que não tiveram a formação integral adequada  não conseguem enxergar no planejamento, uma proposta para a melhoria da prática escolar, por isso, é preciso que as secretarias tanto municipais, ou estaduais, quanto sistemas particulares de ensino, ofereçam cursos de aperfeiçoamento e qualificação para professores poderem estar lidando melhor com a questão do planejamento, é preciso que seja oferecido este conhecimento para o professores poderem dispor desta ferramenta indispensável, talvez em uma parte seja por causa da falta de informação ou conhecimento que muitos professores, ainda realizam seus planejamentos de forma técnica e burocrática, levando em consideração que em muitos casos não lhe foi dada a oportunidade de aprender,  e  entender o processo do planejamento, como um dos caminhos da ação docente em conjunto com os caminhos da escola.

Este texto é parte do artigo de Roberta Poltronieri, “Planejamento escolar, uma oportunidade para a reflexão da ação pedagógica”.

Sobre Sabrina Castilhos

Sou Sabrina Castilhos da Silva Branco, Educadora apaixonada por gente e pela sala de aula, que é um espaço que me surpreende, encanta, desafia, ensina e me possibilita exercer a arte de Educar.

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