Fatores a considerar no diagnóstico das dificuldades de aprendizagem

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Recentemente os resultados de pesquisas sobre a origem das DAs, revelam que há uma multiplicidade de fatores que intervêm para o surgimento das dificuldades. Elas podem advir de fatores orgânicos ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim de auxiliar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo se estão associadas à preguiça, cansaço, sono, tristeza, agitação, desordem, dentre outros, considerados fatores que também desmotivam o aprendizado.

Os fatores a considerar no diagnóstico das dificuldades de aprendizagem são os fatores biológicos ou orgânicos (divididos em quatro categorias: lesão cerebral, falhas no desenvolvimento cerebral, desequilíbrios neuroquímicos e hereditariedade), emocionais e os ambientais.

  • FATORES BIOLÓGICOS OU ORGÂNICOS

Para que haja uma eficaz aprendizagem escolar, é fundamental o sujeito estar bem anatomicamente. Em primeiro lugar é imprescindível revisar tanto a capacidade auditiva como a visual, pois perdas sensoriais como ahipoacusia (deficiência auditiva, que gera a incapacidade parcial ou total da audição, conhecida também como surdez) e a miopia (deficiência visual que dificulta a visão de objetos situados a distância), costumam aparecer como causadoras de dificuldades escolares;  no entanto essas perdas não são a origem das DAs.

É importante voltar o olhar para os aspectos neurológicos, porque não há dúvidas de que as dificuldades de aprendizagem de algumas crianças realmente surgem a partir de disfunções (alterações no funcionamento do sistema nervoso central-SNC-) ou lesões ao cérebro.

Lesão cerebral: entre os tipos de lesões associados às dificuldades de aprendizagem, estão traumas cranianos, hemorragias cerebrais e tumores, febres altas e doenças como encefalite e meningite. A desnutrição e a exposição a substâncias químicas tóxicas, tratamentos com radiação e quimioterapia também causam danos cerebrais ocasionando problemas de aprendizagem.  As lesões podem ter origem antes do parto, no período pré-natal, perinatal ou pós-natal.

No período pré-natal, os principais fatores que podem gerar lesões são os de origem genética, doenças viróticas da mãe, deficiências nutricionais na gravidez, alcoolismo, tabagismo e drogas. Já no período perinatal, os agravantes podem ser insuficiência de oxigênio durante o parto, partos induzidos por fórceps, baixo peso ao nascer, infecções neonatais e prematuridade. E em Pós-natais precoces podem ocorrem traumatismos ou acidentes que podem deixar sequelas neurológicas, doenças infecciosas (encefalite, meningites, sarampo…), intoxicações e desnutrição.

Falhas no desenvolvimento cerebral: nos nove meses que antecedem o parto, todas as estruturas básicas do cérebro são formadas, mas continua se desenvolvendo durante toda a idade adulta. O SNC de um feto cresce em estágios e por regiões, um momento particularmente critico e extremamente importante é a formação do córtex cerebral, que ocorre entre o quinto e sétimo mês de gestação, é nessa estrutura que esta envolvida praticamente todos os aspectos da atividade consciente, por isso seu funcionamento é muito importante, pois é essencial para o pensamento e a aprendizagem.

Durante a primeira e segunda infância, as regiões do cérebro tornam-se cada vez mais especializadas para apoiar as funções específicas e formar novas conexões entre partes do cérebro para que essas áreas especializadas possam cooperar em prol dos diferentes tipos de pensamento. Se esse processo continuo de conexões e ativação neural for perturbado em qualquer ponto, ocorrerá uma falha no seu desenvolvimento, as partes do cérebro responsáveis por diferentes tipos de cognição poderão não se desenvolver naturalmente, ocasionando dificuldades na aprendizagem.

Os tipos de DAs produzidos por essas falhas no desenvolvimento cerebral dependem das regiões do cérebro afetadas. O hemisfério esquerdo (córtex cerebral esquerdo) é responsável pelas funções de linguagem, os sujeitos com alguma falha nesse hemisfério, normalmente possuem dificuldade, na leitura, escrita, memoria de materiais verbais, lógica e análise. Já quando alguma falha ocorre no hemisfério direito (córtex cerebral direito), os indivíduos encontram dificuldades com a percepção e a memória visual, orientação espacial, consciência corporal e percepção do tempo. Mas se a falha for nos lobos frontais do córtex cerebral, afetam a coordenação muscular, a articulação, controle de impulso, planejamento, organização e atenção.  O sujeito parece ser imaturo se comparado a outros com a mesma idade.

Desequilíbrios neuroquímicos: as células cerebrais comunicam-se uma com as outras através dos neurotransmissores, que são mensageiros químicos. Qualquer alteração que desequilibre o clima químico do cérebro prejudica a sua capacidade de funcionar adequadamente, o álcool e as drogas, medicamentos que produzem efeitos colaterais são exemplos. E são esses desequilíbrios neuroquímicos que contribuem para alguns transtornos de aprendizagem, principalmente aqueles que envolvam dificuldade com atenção, hiperatividade, impulsividade, organização e planejamento; incluindo a síndrome conhecida como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Hereditariedade: estudos sobre famílias com crianças com alguma dificuldade de aprendizagem descobriram uma incidência mais alta que a média de problemas de aprendizagem entre pais, irmãos e outros familiares próximos. Crianças com TDAH é um dos exemplos de transtornos que costumam ser compartilhado entre membros da mesma família, sugerindo que possa ter uma origem genética.

Os meninos tem maior probabilidade em herdar tais transtornos por uma margem de dois para um, mas a genética jamais será a única causa de uma dificuldade de aprendizagem.

  • FATORES EMOCIONAIS

É quase totalmente conhecido por professores, psicólogos e demais profissionais que lidam com aprendizagem, que os aspectos emocionais podem interferir negativamente ou positivamente na construção dos conhecimentos e que todo e qualquer ser humano necessita desses fatores para conseguir desenvolver seus saberes. Por exemplo, para aprender a ordenar, classificar e realizar outras operações lógicas, antes de tudo o sujeito precisa sentir-se pertencente a uma classe; sou filho de tais pessoas, sou homem, sou mulher… Quando se aprende a falar, não se faz somente porque se tem um aparelho fonético e um sistema auditivo, se faz também porque adultos acreditam e a estimulam positivamente a faze-lo.

As crianças respondem de diferentes maneiras diante de situações como o divórcio dos pais, superproteção, problemas familiares, novas situações…e isso pode acarretar a dificuldades na aprendizagem, e vice-versa, ou seja, as DAs que o aluno enfrenta na escola, podem leva-lo a ter problemas emocionais.

  • FATORES AMBIENTAIS

Quem ensina são os pais, tios, avós, professores, amigos… O sujeito aprende com todos que estão ao seu redor e com tudo pertencente ao meio em que esta inserido. O meio deveria oferecer aos diferentes aprendizes as possibilidades para desenvolver as potencialidades com suas diferentes modalidades de aprendizagem, a falta de experiências proporcionadas ao sujeito pode influenciar de forma negativa sua capacidade em aprender.

No âmbito da escola, devem ser analisadas as condições materiais de ensino como, por exemplo, as turmas superlotadas, condições físicas inadequadas, uso de material apropriado de acordo com a idade e necessidade do educando e o método de ensino.

Sobre Sabrina Castilhos

Sou Sabrina Castilhos da Silva Branco, Educadora apaixonada por gente e pela sala de aula, que é um espaço que me surpreende, encanta, desafia, ensina e me possibilita exercer a arte de Educar.

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